A sucessão de matérias recentes envolvendo o nome do prefeito Dr. João Vitor tem provocado um ruído político que não encontra correspondência nos fatos administrativos, nem na avaliação concreta da gestão pública realizada em Riacho de Santana.
É indispensável reafirmar que não há condenação definitiva contra o gestor. O afastamento em curso possui natureza cautelar, não se confundindo com juízo de culpa. Ainda assim, parte da cobertura jornalística tem tratado o episódio como sentença antecipada, contribuindo para um desgaste político artificial, dissociado da realidade administrativa e do sentimento popular.
Antes do afastamento, a gestão de Dr. João Vitor apresentava ampla aprovação, com resultados visíveis em áreas estratégicas da administração pública. Esse desempenho explica por que, hoje, cresce no município — e em seu entorno — o apelo pela valorização da democracia e pelo retorno do prefeito ao exercício do mandato, para que o trabalho legitimado pelas urnas tenha continuidade.
Some-se a isso o fato de que, na mesma Operação Overclean, prefeitos de municípios vizinhos também afastados retornaram aos cargos por decisões judiciais posteriores, após reavaliação das medidas cautelares os prefeitos de prefeitos de Boquira (Alan França) e Ibipitanga (Humberto Rodrigues), que também eram alvos da Operação Overclean brevemente retornaram. Esses precedentes demonstram que o afastamento não é definitivo e que o Judiciário, ao longo do processo, pode — e já tem — reconhecido a necessidade de restabelecer mandatos quando cessam os fundamentos que justificaram a medida inicial.
Causa ainda mais estranheza o boom de notícias negativas justamente às vésperas do fim do recesso jurídico, momento em que pode sobrevir, a qualquer instante, decisão judicial determinando o retorno de Dr. João Vitor ao cargo. A coincidência temporal reforça a percepção de que determinadas publicações parecem menos comprometidas com a informação equilibrada e mais voltadas à construção de um ambiente político desfavorável, às vésperas de possível reversão judicial. Agrava esse cenário o fato de que muitas dessas notícias são antigas, já apreciadas pela Justiça, mas reapresentadas fora de contexto, como se fatos novos fossem.
Esse padrão não é isolado. No Brasil contemporâneo, diversos episódios revelam uma tendência recorrente de perseguição política travestida de escândalo judicial, posteriormente corrigida pelas instituições democráticas. O caso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é emblemático: após ter condenações anuladas pelo Supremo Tribunal Federal, com reconhecimento de vícios processuais, Lula retornou à disputa política, foi aprovado pela maioria da população e reassumiu a Presidência da República por meio do voto popular, evidenciando falhas graves nas conduções judiciais anteriores e a força soberana da democracia.
No plano local, a história recente também oferece exemplos. O atual prefeito interino Tito Eugênio, mesmo após ter sido preso, julgado e posteriormente liberado, retornou ao cenário político e conseguiu disputar e vencer nova eleição, com respaldo popular. Em ambos os casos, o que se observou foi a correção institucional de excessos, seguida da confirmação da vontade popular por meio do voto.
A democracia se sustenta no devido processo legal, na presunção de inocência e no respeito às urnas. O possível retorno de Dr. João Vitor não significa negar investigações, mas reafirmar um princípio elementar do Estado de Direito: investigar não é condenar, e governos devem ser avaliados, sobretudo, por trabalho, resultados e legitimidade popular.
Em um momento que exige serenidade institucional, espera-se que a Justiça siga seu curso com equilíbrio e que a imprensa cumpra seu papel com rigor, contexto e responsabilidade. Riacho de Santana não pode ser penalizada por narrativas políticas desconectadas da realidade administrativa, nem privada de uma gestão que demonstrou respaldo da maioria da população.
